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  24/10/2013 Vacina brasileira surge como promissor tratamento do cancro da próstata  
   

 Vacina brasileira surge como promissor tratamento do cancro da próstata.

 

Uma vacina desenvolvida no Brasil e que obteve resultados bem-sucedidos em testes com humanos promete ser um tratamento mais eficaz e barato do que o lançado nos EUA em 2010 e até agora considerado referência para tratar o cancro da próstata, avança o portal Terra, citando a agência Efe.

 

"Obtivemos taxas espetaculares de redução da doença e de diminuição da mortalidade por cancro da próstata", disse à Efe o investigador Fernando Kreutz, responsável pela inovação e proprietário do FK Biotec, o laboratório com sede em Porto Alegre que patenteou a vacina.

 

A previsão deste laboratório é poder lançar ao mercado, em no máximo três anos, o produto, que estimula o sistema imunológico a identificar e destruir as células cancerígenas.

 

Apesar dos testes clínicos demonstrarem a eficácia da vacina no tratamento do cancro da próstata, os responsáveis da inovação consideram que também poderá ter resultados bem-sucedidos com outros tipos da doença.

 

"Já fizemos pequenos estudos com a vacina para tratar cancro de mama, de pâncreas, de intestino e melanoma. O pequeno número de pacientes ainda não nos permite ter conclusões clínicas, mas nos impressionou uma resposta clínica parcial em um paciente com cancro de pâncreas, que é um dos mais agressivos e mortais, com um índice de sobrevivência de apenas três meses", explicou Kreutz.

 

O fármaco é desenvolvido a partir das células tumorais do próprio paciente e tem o objetivo de tratar pessoas que já foram diagnosticadas com cancro para evitar a reaparição da doença ou sua morte.

 

"Trata-se de uma tecnologia que prevê o tratamento particular, já que cada vacina é elaborada a partir de células do paciente. Trata-se, além disso, de uma vacina terapêutica e não preventiva. O seu objetivo é tratar as pessoas com o tumor e não prevenir o surgimento da doença", acrescentou o pesquisador.

 

Os primeiros testes foram realizados em 107 pacientes com cancro da próstata em estado avançado, ou seja, já submetidos à cirurgia ou que já tinham retirado a próstata, que passaram por revisões periódicas durante cinco anos depois da vacinação.

 

Enquanto em 85% dos pacientes vacinados foi impossível detectar o PSA cinco anos depois, essa percentagem foi de apenas 48% entre os pacientes não vacinados. O PSA é a proteína utilizada como marcador nos exames para diagnosticar cancro da próstata.

 

Entre os pacientes vacinados a taxa de mortalidade se reduziu a 9%, muito abaixo dos 19% registados entre os não vacinados.

 

"Neste tipo de cancro a taxa de mortalidade média é de um em cada cinco pacientes, mas com a vacina conseguimos reduzir as possibilidades de morte para um em cada 11 pacientes", comemorou o proprietário do KF Biotec.

 

Os ensaios clínicos, que agora entrarão na sua terceira fase com outros 416 pacientes, também demonstraram que o produto é seguro.

 

De acordo com Kreutz, a vacina brasileira poderá ser uma alternativa a uma mais cara e menos eficaz lançada há três anos pelo laboratório americano Dendreon, cujo valor de mercado chegou a 6 mil milhões de dólares graças à inovação.

 

Enquanto o tratamento americano é oferecido por 91 mil dólares por paciente, o brasileiro pode ser colocado no mercado por 35 mil dólares no estrangeiro e 15 mil dólares no Brasil, segundo o seu criador.

 

A outra vantagem é que enquanto o tratamento americano tem como alvo um único antígeno, o brasileiro foi desenvolvido para trabalhar com múltiplos antígenos, o que aumenta sua eficácia para destruir elementos estranhos e reduz as possibilidades de resistência.

 

O FK Biotec, que conta com financiamento de um fundo de incentivo à inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia, foi criado em 1999 e se especializou na pesquisa e no desenvolvimento de vacinas terapêuticas e testes de diagnóstico.

 

 

"A importância deste projeto é que, além de oferecer um novo tratamento oncológico no mundo com base na imunoterapia, estamos a introduzir uma tecnologia inédita no Brasil", concluiu Kreutz.

 

Fonte: RCMPHARMA

 
 

 
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