Muito se discute sobre a questão das doenças negligenciadas no Brasil, mas pouco se conhece. Em entrevista, o CEO da OrangeLife, Marco Collovati, apresenta uma visão diferente sobre o perfil dessas doenças que antes eram caracterizadas por situações de pobreza extrema e agora atingem todas as regiões, desde comunidades carentes a áreas nobres das capitais.
Diferentemente do que se acredita, as doenças negligenciadas não estão restritas somente aos mais pobres ou moradores de áreas rurais. Doenças como, por exemplo, a dengue, que assola grande parte da população principalmente nos grandes centros urbanos também faz parte desse grupo de doenças que recebem pouca atenção. “O brasileiro trata o contágio da dengue como um carma ou falta de sorte, quando na verdade é resultado da falta de investimento e planejamento do Governo, e de aplicação das tecnologias que temos hoje para o combate da doença”, diz Collovati.
Marco Collovati também chama atenção para a Hanseníase, conhecida popularmente como a antiga Lepra, e diz que o Brasil assume o segundo lugar em incidência da doença no mundo, com mais de 30 mil casos em 2011. “É uma doença altamente contagiosa, mas muito fácil de tratar. Hoje em dia, com a tecnologia que temos à disposição, a Hanseníase pode ser eliminada no Brasil, assim como ocorreu em países da Europa”, afirma o médico.
Ainda, a Tuberculose, outro sério problema de saúde pública que está intimamente associado a questões sociais também afeta as grandes capitais. Relacionada diretamente a pobreza e a exclusão social, a doença deve ter como foco para eliminação a identificação de pessoas infectadas e o diagnóstico precoce. “O Rio de Janeiro é o primeiro no ranking da América do Sul com concentração de tuberculosos porque temos muitas comunidades e favelas onde a doença é mais fácil de ser transmitida”, explica Collovati.
Outros pontos preocupantes são a Leishmaniose e Chagas, causadas por protozoários. As doenças afetam comumente regiões do interior do País que ainda são deficientes quanto à infraestrutura e ao atendimento médico. No âmbito de políticas públicas e investimentos de saúde relacionados a essas doenças, Collovati destaca que o foco para eliminação deve ser a prevenção. “As ações preventivas é que fazem a diferença”, conclui o CEO.
Para debater esta questão primordial para a saúde pública, o 7º ENIFarMed apresentará a sessão temática “Como eliminar doenças negligenciadas?”, que discutirá como é possível encontrar soluções efetivas para eliminação destes problemas que se mostram “esquecidos” na atualidade. E como o problema não se restringe ao Brasil, Marco Collovati que será moderador da sessão selecionou especialistas internacionais para o debate, como Steve Reed, do IDRI (EUA), Jean-François de Lavison, da Ahimsa (França), além da participação do Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.
Inscrições: www.ipd-farma.org.br
Fonte: divulgacao@ipd-farma.org.br
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