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  15/08/2013 Aprender com a indústria farmacêutica indiana  
   

À medida que a capacidade inovadora da Índia se vai afirmando na saúde, surgem receios dos que querem continuar a ganhar muito num curto espaço de tempo

 

No ano 2012/13 a Índia conta ter uma exportação de 15 500 milhões de dólares de fármacos. Ao ver estes valores, e pensando no mercado mundial potencial, vem à mente a pujança passada da nossa indústria farmacêutica e o seu know-how de produção. Hoje quase não há farmacêuticas portuguesas, e muitas foram integradas em multinacionais. Seria importante identificar um modelo de afirmação, do tipo da Índia, fabricando genéricos em grande escala, com processos afinados para o fazer a baixos custos, para depois exportar para os países de expressão portuguesa e outros com que temos afinidades e onde há mercado; e também para fabricar produtos com patente, para as empresas que a detêm, num outsourcing da produção, dada a necessidade de criar trabalho.
Ouço com agrado os anúncios da GP-Genéricos de Portugal, por me parecer estar na onda do futuro. As empresas comercializadores têm o seu interesse, mas muito mais têm as que aqui fabricam e investigam. Mas estas só se decidem a fazê-lo quando encontram vantagens de que beneficiar. Cito alguns exemplos do que se passa com a Índia, pois são situações com que podemos aprender:

 

A TEVA, israelita, a maior fabricante de genéricos e com uma grande fábrica em Goa (era da Rathiofarm, agora comprada pela TEVA), anunciou a criação do maior pólo de produção de fármacos em Sanand, estado de Gujerat, em associação com a Procter & Gamble. Vão fabricar remédios OTC, de venda livre, para a Índia, a Ásia e outros países. Pesou nesta decisão a expertise para produzir a custos baixos, num mercado apetecido para produtos de qualidade e baratos.

 

As farmacêuticas japonesas estão a fazer parcerias com empresas indianas para a produção e para a I&D. O mercado farmacêutico japonês é de cerca de 120 mil milhões de dólares, enquanto o mercado indiano, jovem, irá crescer dos actuais 21 700 milhões para os 36 700 milhões em 2015. Uma representação da Prefeitura de Toyama, onde se situam mais de 100 farmacêuticas, deslocou-se à Índia no sentido de encontrarem formas de colaboração, com exportações cruzadas.

 

Há muitos movimentos de fusões e aquisições entre empresas indianas e multinacionais, e variados tipos de alianças. A Glaxo Skmitkline e a Biological E, de Hyderabad, decidiram desenvolver uma vacina hexavalente, pediátrica, para poliomelite, difteria, hepatite, etc., com particular utilidade na Ásia, em África, etc.

 

A farmacêutica Mylan fez um acordo com a Biocon (indiana) para o desenvolvimento e a comercialização dos seus produtos genéricos análogos da insulina, que conta com um mercado global de 11,5 mil milhões de dólares.

 

À medida que a capacidade inovadora da Índia se vai afirmando na saúde – hospitais e cirurgias de alta qualidade e baixo custo, fármacos acessíveis, etc. –, para dar melhor saúde e qualidade de vida, surgem receios e atitudes defensivas dos que querem continuar a ganhar muito num curto espaço de tempo, com o argumento de que a I&D é cara.

 

Está a provocar ondas de choque a sentença do Tribunal de Nova Deli, de há semanas, a uma acção da Novartis para ter proteger a patente do Glivec (remédio para o cancro do sangue), depois de introduzir uma modificação na forma de o administrar. O tribunal indiano achou que não havia real inovação e decidiu contra a Novartis. O produto original era vendido na Índia por 2 mil euros a dose mensal e o seu genérico indiano por apenas 156, tornando-o acessível aos doentes de todos os países pobres, para quem a Índia é a farmácia dos pobres. Naturalmente os Médicos sem Fronteiras e a Associação de doentes de cancro na Índia aplaudiram a decisão do tribunal. Recentemente Bill Clinton defendeu a indústria farmacêutica indiana, pelo alívio que tem levado a milhões de doentes de malária, tuberculose e sida.

 

Nas conversações Índia-UE, para o FTA-Free Trade Agreement, que trará grandes benefícios em postos de trabalho e mais comércio, um dos pontos em desacordo é o da propriedade intelectual, onde tem força o lóbi das multinacionais. A Índia quer reger-se pelas regras da Organização Mundial do Comércio, de que é membro, enquanto a UE exige muito mais. A Índia não quer deixar a sua população e países que nela confiam ao abandono; quer partilhar com eles os seus sucessos em medicina e fármacos.

 


Professor da AESE e autor do livro “O Despertar da Índia"

 

Fonte: http://www.ionline.pt/

 
 

 
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